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'Cantava agudo e grave': músico elege João Paulo como referência de segunda voz do sertanejo

Músico elege João Paulo como referência de segunda voz do sertanejo Referência no ensino da segunda voz, o músico e podcaster Daniel Teixeira Lopes, conhec...

'Cantava agudo e grave': músico elege João Paulo como referência de segunda voz do sertanejo
'Cantava agudo e grave': músico elege João Paulo como referência de segunda voz do sertanejo (Foto: Reprodução)

Músico elege João Paulo como referência de segunda voz do sertanejo Referência no ensino da segunda voz, o músico e podcaster Daniel Teixeira Lopes, conhecido como Willian Segundeiro Raiz, elege a de João Paulo, que fazia dupla com Daniel, como a principal que já ouviu. "Ele tinha uma extensão vocal muito interessante: cantava muito agudo e muito grave. Praticamente nenhum dos segundeiros da época tinha isso daí”, diz o especialista. Um acidente em 12 de setembro de 1997, no entanto, interrompeu a vida e a carreira de José Henrique dos Reis, nome de registro do cantor, que tinha 34 anos à época e fazia sucesso nos quatro cantos do Brasil. "Ele não era irmão do Daniel, e as vozes timbravam perfeitamente. Quando é irmão, é mais fácil timbrar, quando não são irmãos, é mais difícil", destaca o Segundeiro Raiz. 🤠 Esta história faz parte de uma série de reportagens sobre música sertaneja que marca o lançamento do concurso cultural "ÉPra Cantar". Nesta edição, a dupla vencedora vai se apresentar na Festa de Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina. Músico que ensina a segunda voz elege a de João Paulo, que morreu em acidente em 1997, como referência no sertanejo Reprodução/EPTV Andares da música O Segundeiro Raiz explica o dueto sertanejo usando a metáfora de um prédio de sete andares. O prédio representa o tom da música, e os sete andares correspondem às sete notas musicais. A primeira voz está em um andar mais alto, o sétimo, por exemplo, enquanto a segunda está em um mais baixo, como o terceiro ou o quarto. “Elas vão estar sempre mudando de andar e caminhando. Sempre a primeira voz para o agudo, e a segunda voz para o grave. De vez em quando, elas vão até se encontrar, fazer a mesma voz, que a gente chama de uníssono”, explica Willian. Elas também podem se inverter: quando a segunda voz sobe para um andar mais alto que a primeira, acontece a tercinha, uma técnica que também é bem popular no sertanejo – duplas da década de 1990, como João Paulo e Daniel, e Leandro e Leonardo, exploravam bastante essa sonoridade. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Essa mudança de andares ou notas é fundamental para criar harmonia e a sensação de preenchimento sonoro que é tão característico do gênero. Com essa dinâmica, os cantores conseguem evitar que a música fique monótona. É como se as vozes fossem desenhando a melodia: uma pode fazer um traço mais reto enquanto a outra oscila, sobe e desce. “Fica errado se ela sair de algum andar ali para um outro prédio”, diz Willian. ⚠️ Sair do prédio, neste caso, significa sair do tom da música, ou seja, desafinar. Fazer a segunda voz é uma tarefa complexa justamente porque não significa apenas cantar uma oitava abaixo da primeira. “Ela tem que trabalhar ali, dentro da melodia da primeira”, afirma o Segundeiro Raiz. Isso também explica o por que, às vezes, as carreiras solo de ex-parceiros não fazem tanto sucesso quanto a dupla. “Podemos falar de Christian e Ralph, e de Edson e Hudson. Lógico que o Edson teve a carreira solo dele, mas a dupla voltou e olha só como está hoje. Voltaram forte demais”, exemplifica Willian. O músico e podcaster Daniel Teixeira Lopes, conhecido como Willian Segundeiro Raiz, explica como funciona a segunda voz no sertanejo Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas